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O que a agência de pesquisa avançada de defesa dos EUA pode nos contar sobre crowdsourcing?

Um dos projetos de crowdsourcing que mais me impressionaram foi anunciado em abril de 2012 pela GE Global Research, junto com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos Estados Unidos (DARPA). Eles pretendem revolucionar o design e a fabricação com uma nova plataforma de crowdsourcing.

Estou atenta e espero poder contar mais sobre essa audaciosa empreitada, pois me impressionaram o peso e a seriedade dos envolvidos – e mais ainda a audácia de fazer algo tão inovador.

No entanto, para responder à pergunta proposta no título deste post, é preciso entender um pouco do perfil da DARPA em projetos de crowdsourcing. E, para isso, é bom contar dois cases dessa agência americana.

Em 2009, a DARPA fez um teste com crowdsourcing. Foi um desafio em que a agência soltou dez balões vermelhos no ar em todo o país. A ideia era ver e entender como as pessoas fariam para encontrar todos eles.

Vários times se candidataram a resolver esse desafio, e a equipe do MIT foi a vencedora. Seu método foi organizar uma espécie de premiação em pirâmide. Seriam recompensados não só aqueles que encontrassem os balões, mas também aqueles que encontrassem essas pessoas.

Também foram usados outros incentivos, como doar parte do dinheiro para caridade, estimulando mais pessoas a participar. Com isso, conseguiram achar todos os balões espalhados pelo país todo em apenas nove horas.

Um exemplo do que aprenderam com essa atividade foi reconhecer o poder nos números e mostrar que, para certos projetos, você precisa de uma grande quantidade de mentes trabalhando nas coisas, e certas tarefas não devem apenas ser feitas por especialistas. Outra conclusão importante é que, para trabalhar com um grande número de voluntários espalhados, temos de facilitar a participação deles.

O segundo case é o de uma desafio de outubro a dezembro de 2011. Os participantes deviam reconstruir e decifrar informações de cinco documentos que passaram por uma máquina de picotar papel.

A DARPA estava, na verdade, tentando resolver com essa iniciativa uma situação muito comum em conflitos. As tropas costumam confiscar documentos destruídos que nem sempre são facilmente reconstruídos. Aqui, o objetivo era melhorar sua eficiência, buscando a ajuda de amantes de quebra-cabeças e cientistas da computação espalhados pelo mundo.

A competição mobilizou cerca de 9.000 pessoas sugerindo soluções, e três programadores de San Francisco foram os vencedores. Eles levaram 600 horas para criar um programa para visualizar e trabalhar no computador com os documentos rasgados. Seu algoritmo analisou diversos fatores, como a forma dos rasgos e as marcas de papel, sugerindo combinações. Então eles convidaram amigos para juntar as peças à mão. A equipe resolveu o quebra-cabeças e colocou os documentos juntos novamente em apenas 33 dias. Por seus esforços, eles levaram um prêmio de US$ 50 mil.

Com a experiência da DARPA, podemos aprender que eles reconhecem que não têm todas as ideias brilhantes e precisam se aventurar fora de seus próprios recursos, convidando outros gênios criativos a solucionar problemas complexos. Outra coisa é reconhecer que o crowdsourcing pode ajudar a manter inovadora a indústria de tecnologia competitiva.

Para finalizar, fica a frase do diretor da DARPA:

“I don’t think anyone has figured out the crowd yet. It’s a brand new science.” Ou: “Eu não acredito que alguém tenha entendido a multidão ainda, é uma ciência totalmente nova”.

Marina Miranda é diretora geral da Mutopo Brasil. Estudou Economia e Comunicação e atua com projetos de crowdsourcing, realizando desafios para clientes de diversos portes. Twitter: @marinamiranda

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